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O SECTOR DO ALOJAMENTO TURÍSTICO NO TERRITÓRIO DO CÁVADO
2026-10-20
Os dados mais recentes do Registo Nacional de Turismo (à data de 16 de outubro de 2026), consultados em https://rnt.turismodeportugal.pt/RNT, revelam um ecossistema turístico dinâmico na Região do Cávado, totalizando 2280 unidades de alojamento turístico, estando a sua maioria registadas como Alojamento Local–AL (2080) e os Empreendimentos Turísticos – ET (empreendimentos hoteleiros, aldeamentos, turismo de habitação, turismo rural, parques de campismo e caravanismo) apenas com 200 unidades. Contudo, por trás deste número total esconde-se uma acentuada assimetria territorial, que exige uma reflexão estratégica de todos os agentes do território envolvidos por este sector.
Existe uma hegemonia dos concelhos de Braga (764 unidades) e Terras de Bouro (583 empreendimentos) onde se concentram, em conjunto, 59% de toda a oferta turística da região. Braga destaca-se pelo turismo urbano e corporativo, liderando em termos absolutos com 718 unidades de AL, enquanto que Terras de Bouro nesta modalidade apresenta 525 unidades. Estes dois concelhos são seguidos pelo de Esposende com 491 empreendimentos, sendo 481 de AL.
Estes resultados reflectem a atracção sobre os mercados, que o turismo cultural e urbano (Braga), o de natureza (Terras de Bouro) e o balnear/costa atlântica (Esposende), possuem no território do Cávado.
Em contraponto, Barcelos, com 175 empreendimentos (158 de AL), Amares com 153 (só de AL são 115) e Vila Verde com um total de 114 (83 referem-se a AL) apresentam números muito mais modestos. No total estes 3 concelhos representam apenas 17% dos empreendimentos de AL e 2% dos restantes empreendimentos.
O facto de existirem 2.080 AL face a apenas 200 Empreendimentos Turísticos demonstra uma flexibilidade de mercado, mas também uma enorme fragilidade. Esta escassez de estruturas de maior escala e qualidade (ex. hotéis, resorts sustentáveis, turismo rural) limita a capacidade do território do Cávado de reter turismo internacional, turismo natureza e com forte ligação à sustentabilidade ou eventos fora da época alta, acentuando a sazonalidade.
A coesão territorial do Cávado depende da capacidade de descentralizar fluxos. Locais com forte pressão turística precisam de ordenamento e monitorização de carga, enquanto os concelhos de maior ruralidade precisam de incentivos para qualificar a sua oferta. O turismo deve procurar e continuar a ser um motor de fixação demográfica local e de dinamização e coesão económica e social e não apenas um negócio de passagem sazonal.
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